FGV CPDOC conclui primeiro Arquivo Histórico Digital de Mulheres Brasileiras

O acervo, aberto ao público, conta com nomes importantes para o jornalismo, literatura, política, diplomacia e trabalho, entre diversas áreas

FGV CPDOC conclui primeiro Arquivo Histórico Digital de Mulheres Brasileiras

A constituição de acervos históricos de mulheres ainda é um gargalo que afeta tanto a pesquisa quanto a memória nacional. A falta de acesso a esse material diminui a análise e a visibilidade para o papel desempenhado por tantas brasileiras, bem como para as barreiras que tiveram de superar, na cultura, literatura, trabalho, política, diplomacia, economia e jornalismo, dentre muitas outras áreas.

Para enfrentar esse problema, o FGV CPDOC, em parceria com o Center for Research Libraries (CRL), desenvolveu um projeto para digitalizar e disponibilizar ao público nove arquivos custodiados pela instituição. A iniciativa abriu espaço, também, para a revisão e atualização de informações e biografias dessas mulheres, que, de diferentes formas, impactaram a história brasileira.

A empreitada, uma das mais importantes já realizadas pela instituição reúne mais de 35 mil páginas de documentos digitalizados, que estão abertos para consulta pública.

Pesquisadores, estudantes, jornalistas e interessados podem encontrar material até então inédito para o grande público sobre mulheres como a sindicalista, advogada e escritora Almerinda Farias Gama; a poetisa Anna Amélia de Queiroz; a jornalista e fundadora do MAM do Rio de Janeiro, que teve os direitos políticos cassados pelo AI-5, Niomar Moniz Sodré Bittencourt; e a diretora dos Diários Associados, um dos maiores conglomerados de comunicação da história brasileira, Rosalina Coelho Lisboa. Também estão disponíveis arquivos sobre a biografia de Yvonne Maggie, Delminda Benvinda Gudolle Aranha, Hermínia de Souza e Silva Collor, Hilda Von Sperling Machado, e Luiza de Freitas Valle Aranha.

Arquivo Histórico Digitalizado de Mulheres FGV CPDOC

Almerinda Farias Gama (1899 – 1992) – Sindicalista, advogada e jornalista, Almerinda Farias Gama integrou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e lutou, junto de outras mulheres, pelo direito ao voto feminino no Brasil. Fundou o Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos do Distrito Federal e foi, como representante do sindicato, a única mulher a votar como delegada na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, em 1933. No ano seguinte, se candidatou para Câmara Federal pela legenda “Decreto do Direito ao Trabalho, Congresso Master”. Almerinda atuou como colaboradora em periódicos paraenses e cariocas e foi autora de livros como Zumbi (1942) e O dedo de Luciano (1964).

Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça (1896 – 1971) – A poetisa Anna Amélia foi colaboradora em diversos jornais do Rio de Janeiro e atuou como diretora no suplemento feminino do Diário de Notícias. Foi presidente da Associação Brasileira de Educação, vice-presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e fundadora da Casa do Estudante do Brasil (1929). Foi a primeira mulher a participar do Tribunal Superior Eleitoral, fazendo parte da mesa apuradora das eleições de 1934. Em 1935, representou oficialmente o Brasil no XII Congresso Internacional de Mulheres em Istambul e em 1942, foi escolhida como representante do Brasil na Comissão Internacional de Mulheres, com sede na União Pan-Americana em Washington. Em 1967, foi convidada pelo governo do Estado de Israel para representar a mulher brasileira no Congresso Internacional Feminino pela Paz e Desenvolvimento. Autora do livro Quatro pedaços do planeta no tempo do Zeppelin (1976).

Delminda Benvinda Gudolle Aranha (1894-1969) – foi presidente do Comitê de Auxílio às Famílias das Vítimas de Atentados do Eixo, órgão de assistência que atuou em um período particular da história brasileira e mundial e reúne registros sobre o atentado que foi o estopim para a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Delminda foi casada com o diplomata Oswaldo Aranha e participou dos preparativos da Revolução de 1930, codificando as resoluções tomadas durante as reuniões realizadas no Rio Grande do Sul e decifrando os telegramas recebidos.

Hermínia de Souza e Silva Collor (1895 – 1971) – foi chefe da Ala Feminina do Partido Republicano Castilhista e presidente do 1º Posto de Assistência Social da União Democrática Nacional (UDN). Participou junto à Legião da Mulher Brasileira de ações voltadas para a proteção, alfabetização e instrução das mulheres. Hermínia foi casada com Lindolfo Collor.

Hilda Von Sperling Machado – A embaixatriz foi casada com Cristiano Machado e atuou em grupos da sociedade civil em prol dos menos favorecidos.

Luiza de Freitas Valle Aranha (1872-1948) – Foi proprietária da estância Alto Uruguai em Itaqui, RS. Teve 9 filhos, entre eles o ministro e diplomata Oswaldo Aranha. Atuou em projetos comunitários que promoviam ações contra a desigualdade social e em favor do direito à saúde.

Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916 – 2003) – Foi jornalista e proprietária do jornal Correio da Manhã. Colaborou com diversos jornais revistas e foi integrante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Niomar integrou o Conselho Deliberativo do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, instituição que ajudou a fundar em 1948. Enquadrada na Lei de Segurança Nacional pelo Superior Tribunal Militar em 20 de novembro de 1969, teve os direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5). Foi presa junto com outros jornalistas e absolvida no ano seguinte.

Rosalina Coelho Lisbôa de Larragoiti (1900 -1975). Jornalista, diretora do jornal Diários Associados. Foi representante da Paraíba no Congresso Feminino Internacional (1930) e Delegada do Brasil na Assembleia Geral da ONU, em 1951. Integrou o Conselho Consultivo do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (1954). Autora de diversos livros, entre os quais, Rito pagão (1922) e A seara de Caim (1952).

Yvonne Maggie de Leers Costa Ribeiro (1944) – é antropóloga e professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi coordenadora do Laboratório de Pesquisa Social do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ) entre 1988 e 1992 e diretora do IFCS, de 1994 a 1997. Autora dos livros Guerra de orixá: um estudo de ritual e conflito (1975) e Medo do feitiço: relações entre magia e poder no Brasil (1992), respectivamente, sua dissertação de mestrado e tese de doutorado.

Fonte: portal.fgv.br

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