FGV IBRE: 42% dos empresários preveem normalização das atividades só em 2021

Empresários do setor de Serviços, mais afetado pelos impactos econômicos da Covid-19, foram os mais pessimistas em relação à recuperação – apenas 16,6% das empresas estão operando em situação considerada normal, mas para 47,2% a normalidade viria a partir de 2021 e 14,7% não conseguem visualizar o retorno

FGV IBRE: 42% dos empresários preveem normalização das atividades só em 2021

No esforço para compreender o impacto da pandemia para empresários e consumidores, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) realizou mais uma pesquisa especial das sondagens. O estudo prévio de agosto apontou que a maior parcela dos empresários (42,1%) acredita que a retomada à normalidade (nível anterior à pandemia) só acontecerá em 2021, enquanto 10,4% não conseguem visualizar um retorno a esse mesmo nível. Em compensação, 25,1% disseram estar operando normalmente.

Em linha com as pesquisas anteriores, empresários do setor de Serviços, mais afetado pelos impactos econômicos da Covid-19, foram os mais pessimistas em relação à recuperação – apenas 16,6% das empresas estão operando em situação considerada normal, mas para 47,2% a normalidade viria a partir de 2021 e 14,7% não conseguem visualizar o retorno.

“De modo geral, os resultados mostram que o setor de Serviços, principalmente o segmento de Serviços prestados às famílias, ainda tem um caminho árduo até sua plena recuperação. Enquanto houver dúvidas em relação à recuperação econômica e principalmente do mercado de trabalho, e enquanto ainda tivermos restrições ao funcionamento de alguns tipos de estabelecimentos, ou a população não se sentir confortável para voltar a frequentá-los, esse setor será duramente impactado”, avalia Renata de Mello Franco, economista do FGV IBRE e uma das responsáveis pela pesquisa.

Os empresários do segmento de serviços prestados às famílias formam o maior percentual (66,0%) entre os que esperam a volta à normalidade somente no ano que vem, e o segundo maior entre os que não conseguem visualizar esse retorno (16,9%). Levantamento anterior do FGV IBRE mostrou que os consumidores não frequentariam em hipótese alguma cinema/teatro (80,1) ou bares/restaurantes (64,3%), nem viajariam de férias (70,4%).

O contraponto positivo vem da Indústria e do Comércio, que apresentaram maior percentual de respostas de empresas operando normalmente, com 30,4% e 32,5% respectivamente.

Mais da metade das famílias de baixa renda foi fortemente impactada

De acordo com a pesquisa, 55,1% das famílias de baixa renda (que ganham até R$ 2.100) foram muito impactadas pela pandemia. Por outro lado, nessa mesma faixa de renda também está o maior percentual das famílias que responderam não terem sido afetadas. Esse resultado pode ser explicado pelas pessoas que não puderam parar de trabalhar ou que receberam o auxílio emergencial, fazendo com que sua renda e consumo não tivessem caído significativamente. De maneira geral, 48,7% dos consumidores afirmaram terem sido muito impactados, 26,6% mais ou menos, 18% pouco e apenas 6,7% não foram afetados em nada.

Sobre a principal preocupação dos consumidores, quanto maior a renda maior é a preocupação com ameaça à saúde e isolamento social, e menor em relação ao impacto financeiro. Para as faixas com pouca renda, esse impacto tem sido mais intenso e mais relacionado a questões econômicas, principalmente perda de emprego e deterioração da situação financeira familiar. Por outro lado, para os consumidores das faixas de renda mais alta, o impacto tem sido menos intenso e mais relacionado às questões de saúde física e psicológica.

Para a pesquisa prévia de agosto, foram entrevistados 1510 consumidores, 668 empresas da Indústria de Transformação, 489 da construção, 1212 de Serviços e 498 do Comércio, entre os dias 1e 14 de agosto.

Veja a análise da pesquisadora Renata Mello Franco

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