Pesquisa indica contraste de doações entre classes sociais no Brasil

O levantamento foi elaborado de 2017 a maio deste ano, tendo como base territorial o Rio de Janeiro, que apresenta um ambiente socioeconômico altamente desigual. Foram ouvidos moradores do complexo da Maré e da Zona Sul do Rio de Janeiro. 

Pesquisa indica contraste de doações entre classes sociais no Brasil

Pessoas com alto poder aquisitivo doam menos para causas básicas (combate à fome e à falta de abrigo) enquanto os mais pobres preferem contribuir para essas causas mais urgentes.  É o que indica a pesquisa da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE) da Fundação Getulio Vargas, “Classe Social e Alocação de Doações no Brasil”. O estudo foi elaborado pelo pesquisador e doutor pela FGV EBAPE, Yan Vieites, em parceria com os professores da FGV EBAPE, Eduardo Andrade e Rafael Goldszmidt. 

Premiado em sua versão inicial na conferência Society for Consumer Psychology, realizada em 2020 na Califórnia, o levantamento foi elaborado de 2017 a maio deste ano, tendo como base territorial o Rio de Janeiro, que apresenta um ambiente socioeconômico altamente desigual. Foram ouvidos moradores do complexo da Maré e da Zona Sul do Rio de Janeiro.  

Um dos estudos funcionou da seguinte forma: potenciais doadores, ao realizar a doação, deveriam decidir como alocar seus recursos entre diferentes causas sociais. Os participantes receberam cinco notas de R$ 2, totalizando R$ 10. No momento em que recebiam o  valor, as pessoas eram informadas de que poderiam ficar com o dinheiro ou doá-lo para causas de combate à fome (alimentos) ou para iniciativas culturais. Ao todo, 60% dos pesquisados fizeram alguma doação, cujo valor médio foi de R$ 4,96. 

Entre os participantes do Compelxo da Maré, 86% fizeram alguma doação, com valor médio de R$ 5,57, sendo R$ 3,74 para alimentos e R$ 1,83 para ações culturais. Na Zona Sul, 43% dos participantes fizeram algum tipo de doação. O valor médio das doações foi de R$ 4,30, sendo R$ 1,28 para alimentos e R$ 3,02 para iniciativas culturais. 

Nesse contexto, o trabalho da FGV EBAPE avaliou como a relativa “urgência” das causas para a sobrevivência humana molda as preferências de alocação de recursos das pessoas de classes sociais superiores e inferiores. A pesquisa indicou que, quando confrontada com duas opções de doações, uma direcionada a uma causa básica (alimentação ou abrigo) e outra a uma causa menos urgente (cultura ou esportes) as pessoas de classe baixa preferem doar para causas urgentes. Já as pessoas da classe alta tendem a contribuir para necessidades menos urgentes. 

A pesquisa “Classe Social e Alocação de Doações no Brasil” pode ser encontrada na versão em inglês no site. 

Fonte: portal.fgv.br

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