Projeto da FGV ajuda a prevenir enchentes na periferia de São Paulo com garrafas PET

O foco é engajar comunidades e escolas na governança sustentável do risco de inundações.

Projeto da FGV ajuda a prevenir enchentes na periferia de São Paulo com garrafas PET

Diante do cenário de enchentes no mês de janeiro, em São Paulo, pesquisadores do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo (CEAPG) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (Cemaden) criaram o aplicativo Dados à prova d’água (Waterproofing Data – WPD, em inglês), um projeto de pesquisa multidisciplinar que trata da governança dos riscos de inundações. O foco é engajar comunidades e escolas na governança sustentável do risco de inundações.

A abordagem desse tema envolve os aspectos sociais e culturais da coleta e do uso de dados tanto por pesquisadores e técnicos, quanto pelas pessoas das comunidades afetadas. Com o aplicativo Dados À Prova D’Água, instituições da Alemanha e da Inglaterra, moradores vão coletar e abastecer a rede com dados que ficarão disponíveis às autoridades para ações de prevenção da Defesa Civil, por exemplo, e, com isso, evitar tragédias comuns na temporada de chuvas. Dessa forma, é possível inserir informações sobre alagamentos, intensidade da chuva, milímetros de água e nível do rio.

O projeto envolve governos, moradores e organizações sociais das cidades de Paulo/SP e Rio Branco/AC. Também conta com a participação de pesquisadores brasileiros (Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – Cemaden), da Alemanha (Universidade de Heidelberg), e duas instituições do Reino Unido (Universidade de Warwick – Inglaterra, e Universidade de Glasgow – Escócia), além do apoio da Secretaria Estadual de Meio-Ambiente do Acre (SEMA) e da Prefeitura Municipal de São Paulo. Suas atividades são financiadas pela FAPESP, UK Research and Innovation e pelo Instituto Alan Turing (Inglaterra).

A vantagem do método em relação às medições tradicionais é que, além de ser mais barato e fácil de ser realizado, envolve a comunidade na coleta de dados, o que ajuda a ampliar o mapeamento das áreas de risco e, ainda, os governos podem complementar seus modelos de previsão de inundações.

Os medidores de chuvas oficiais (pluviômetros) automáticos são mais precisos, mas são caros, segundo ela, e possuem pontos não alcançados. “O projeto propõe menos rigor, mas uma forma mais fácil de construir uma medição mais territorial. A ideia é espalhar essa rede e, assim, a medição se torna mais precisa”. Para isso, foi preciso envolver a comunidade com ações educacionais em quatro escolas – duas em São Paulo e duas do Acre, salientou Maria Alexandra Cunha, coordenadora do projeto da FGV.

O projeto na cidade de São Paulo ocorre na comunidade do Parque M’Boi Mirim, uma das regiões mais castigadas pelas enchentes de verão. No momento, os moradores estão utilizando o aplicativo Dados à Prova d’Água”, no qual eles informam as medidas dos seus pluviômetros a cada 24 horas e, ao mesmo tempo, possibilita facilita o acesso e a visualização de dados governamentais de pluviômetros automáticos e áreas propensas a inundações. Esses dados, produzidos ao longo do processo educativo, poderão ser acessados por instituições governamentais que lidam diretamente com o gerenciamento do risco de desastres na esfera municipal, estadual e federal.

Além disso, há um projeto na área educacional. Trata-se de uma disciplina eletiva, voltada aos alunos de escolas públicas do Ensino Médio “Dados à Prova d’Água”, que fomenta o conhecimento sobre a gestão de risco de desastres, especialmente aqueles provocados pelo excesso de água, como as inundações, alagamentos e enxurradas. Durante o período da eletiva, objetiva-se engajar os/as estudantes com a produção de conhecimento sobre os desastres provocados pelo excesso de água no seu bairro/cidade. São propostas diversas atividades para trabalhar o tema de risco de desastres provocados pelo excesso de água. Os alunos são protagonistas na construção e monitoramento de pluviômetros artesanais, produção de histórias orais temáticas, elaboração de mapas de risco e análise de dados governamentais, entre outras atividades.

Para Maria Alexandra Cunha, a produção e divulgação de dados sobre enchentes, sobretudo, em comunidades carentes, amplamente afetadas podem mudar a realidade local e diminuir os desastres. “O aplicativo pretende construir uma rede de monitoramento regional para complementar a já existente”, afirmou a coordenadora.

O projeto também lançou uma série de vídeos, no YouTube, com memórias dos moradores sobre as enchentes. Para ter acesso, clique no link.

O app está disponível a partir desse mês.

Fonte: portal.fgv.br

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