Pesquisa indica que 63,93% tiveram perda de renda mensal por conta da pandemia de COVID-19

Quase 40% informaram que perderam entre 10% e 30% dos seus rendimentos. Já 2,61% relataram que perderam toda a renda. Vale ressaltar que entre os 36% que disseram não terem tido sua renda alterada, grande parte é composto por aposentados, assalariados com registro e servidores

Pesquisa indica que 63,93% tiveram perda de renda mensal por conta da pandemia de COVID-19

O Centro de Estudos em Finanças (FGVcef) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) e a Toluna, fornecedora de insights do consumidor sob demanda, realizaram um estudo sobre a situação financeira dos brasileiros durante a pandemia da COVID-19. Segundo a pesquisa, 63,93% dos entrevistados disseram ter tido perdas na renda em função da crise. Entre eles, a maioria, quase 40%, perderam entre 10% e 30% dos seus rendimentos. Já 2,61% relataram que perderam toda a renda. Vale ressaltar que entre os 36% que disseram não terem tido sua renda alterada, grande parte é composto por aposentados, assalariados com registro e servidores.

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A pesquisa, que entrevistou 806 pessoas de todas as regiões do país, também indica que os mais pobres foram os que mais perderam renda. Entre os que perderam toda a renda, os mais pobres correspondem a 15%. Para os entrevistados que tiveram sua renda diminuída entre 51% e 70%, novamente 15% eram os mais pobres. Já os que não tiveram a renda alterada nesse período de pandemia, nota-se que os de maior renda foram os menos afetados.

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Dívidas

O estudo indica ainda que a crise econômica, para a maioria (56%), não acarretou aumento das dívidas. Já para os que tiveram aumento de dívidas (44%), a maioria foi por conta de dívidas pré-existentes.

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Entre os que aumentaram as dívidas, aqueles com menor renda foram os mais afetados. O contrário ocorre com altos níveis de renda.

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Pesquisa indica que 63,93% tiveram perda de renda mensal por conta da pandemia de COVID-19Resgate de investimento

O estudo constatou que nesse período de crise por conta da COVID-19 aumentaram os resgates de investimentos. Houve resgate de investimentos na crise para 42% dos respondentes. Esse aumento de resgate deve ser a causa que impediu o aumento das dívidas.

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Sobre o tipo de investimento resgatado, quase 60% dos respondentes resgataram recursos da caderneta de poupança, seguido por 15% que resgataram de fundos de renda fixa e DI, 12% de CDBs, LCI e LCA e 8% de ações.

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O estudo indica ainda que a maioria dos respondentes resgatou até 50% do que tinha investido. 15% deles resgataram a totalidade ou quase a totalidade. A crise teve um grande impacto nos investimentos.

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O principal motivo para os resgates foi cobrir despesas por conta da perda de receita. Praticamente 60% dos respondentes indicaram esse motivo. Em segundo lugar, 21% indicaram ajuda financeira a familiares como o motivo para o resgate. 5,2% resgataram porque o investimento original sofreu grande desvalorização. Isso pode indicar que o investimento foi feito sem conhecimento adequado do seu risco. Interessante que 4% dos respondentes resgataram para aproveitar oportunidades surgidas com a crise.

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Conhecimento de investimento e futuro

Os respondentes, em sua maioria, dizem conhecer finanças. Quase 55% afirmam ter conhecimento médio ou grande sobre dinheiro, dívidas e investimentos, contra 43% que dizem conhecer pouco ou que começaram a aprender na atual crise.  Surpresa foi o número de respondentes que disse não conhecer nada: apenas 2,24% da amostra.

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Se você tivesse R$ 10 mil disponível no que investiria?

O estudo fez essa pergunta aos entrevistados. Pagar dívidas seria a preferência de 20%. Surpresa, mas não tanto: investir em ações é a segunda opção (portanto a primeira para investimentos), com quase 19% das respostas.

Com quase o mesmo número segue a Caderneta de Poupança (18,66%), com Fundos de Renda Fixa e DI sendo a opção de 15,8%. CDBs, LCIs e LCAs têm 14,4%. Por fim, há os fundos multimercados (mais complexos) com apenas 6,59% e fundos de previdência, com 5%. Ações surpreenderam, mas há razões. Em primeiro lugar, a queda dos juros e, em segundo lugar, a recuperação apresentada depois da grande queda do início da crise. E também há a memória do ano de 2019 com alta substancial do Ibovespa.

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Onde investir em longo prazo?

A maioria dos entrevistados indicaram que a melhor opção para investimento em longo prazo seria ações (36%) e em seguida imóveis (25%). Também aparecem nas respostas produtos de previdência, com 9,7%. Dessa forma, mais de 70% de respondentes estão alinhados com o que é indicado para o longo prazo.

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Metodologia

A pesquisa foi idealizada pelo FGVcef (Centro de Estudos em Finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas) e pela Toluna. Coordenada pelos professores William Eid e Claudia Yoshinaga. O objetivo foi identificar mudanças na posição financeira dos brasileiros causadas pela atual crise.

  • – Período: final do mês de maio de 2020.
  • – Amostra:  806 respostas de todas as regiões do Brasil, sendo 45% homens e 55% mulheres, maiores de 18 anos. Casados representam 60% dos respondentes, além de 36% de solteiros, 4,5% de divorciados e 0,37% de viúvos.
  • – A renda mensal dos participantes varia de R$ 2.005,00 a mais de R$ 11.262,00.
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