FGV Transportes divulga 3ª rodada do Índice de Qualidade de Mobilidade Urbana

Levantamento aponta que mais de 80% dos respondentes consideram de regular a péssima a mobilidade na sua cidade.

FGV Transportes divulga 3ª rodada do Índice de Qualidade de Mobilidade Urbana

O FGV Transportes acaba de divulgar a 3ª rodada do Índice de Qualidade de Mobilidade Urbana (IQMU), ferramenta de diagnóstico e monitoramento que permite avaliar as condições atuais de mobilidade nas cidades brasileiras. Foram coletados 644 registros entre os meses de abril e maio de 2021. Grande parte dos entrevistados possui idade entre 31 e 60 anos e nível superior. O estudo analisou o perfil das viagens, o modo de transporte utilizado, o tempo de duração e o motivo da viagem.

Ao final, os participantes responderam como percebem a mobilidade da sua cidade. A maioria (82,3%) classifica como regular; ruim; ou péssima. Somente 17,7% dos respondentes avaliaram como boa ou excelente. O IQMU, utiliza um modelo matemático, baseado em inteligência artificial, e na 3ª rodada indicou nota 4,7 (numa escala entre 0 e 10), uma ligeira melhora em relação às rodadas anteriores, que registraram 4,2 em outubro de 2020 e 4,3 em janeiro deste ano. Mesmo assim, a avaliação geral do transporte nas cidades brasileiras ainda é ruim.

 Marcus Quintella, Diretor do FGV Transportes, destaca a importância do índice para a tomada de decisão por parte dos setores públicos e privados: “O IQMU é um importante instrumento de controle e monitoramento, pois reflete a percepção da sociedade quanto à mobilidade urbana. São geradas informações primordiais para que os governantes e tomadores de decisão percebam as dificuldades das pessoas em seus deslocamentos diários e como isso afeta a qualidade de vida da população”, avalia. 

Na análise do perfil das viagens, mais de 60% partiram das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, sendo que mais de 40% não apresentavam baldeações. Entretanto, observou-se que percentual acima da metade afirmou utilizar apenas um modo de transporte. Quanto ao tempo de duração, a maioria leva até uma hora para chegar ao destino, principalmente por motivo de trabalho (mais de 70% das viagens).

Outro dado que chama a atenção é o modo de transporte utilizado. Enquanto nas duas primeiras rodadas o ônibus público apareceu como a primeira opção (40%), seguido pelo automóvel particular (25%), na terceira rodada essa proporção não se repetiu, registrando equilíbrio com 33,4% para cada veículo. O metrô também aparece como alternativa de transporte, com aproximadamente 14% nas três rodadas.

Entre os meios de transporte analisados estão o automóvel particular, transporte público (que incorpora ônibus público, bonde, VLT, barca, trem e metrô), bicicleta, motocicleta, táxi/fretados (que contempla o táxi de qualquer tipo, os veículos utilitários e os ônibus fretados) e o deslocamento a pé. Os participantes deram notas de zero a dez para cada um deles. Como resultado, os transportes particulares como carro e táxis, receberam a maior nota, enquanto o transporte público obteve a pior avaliação.

Para Marcus Quintella o resultado da pesquisa mostra os efeitos da pandemia na atual conjuntura socioeconômica do país, como o alto nível de desemprego e a perda de renda da população. “O levantamento torna evidente a inexistência de planejamento, com a desvalorização da otimização modal, aliado à falta de investimentos em transportes de massa, como trens e metrôs.  Percebe-se, ainda, que a degradação dos ativos de transportes (ônibus, principalmente) observada atualmente está, principalmente, na dificuldade das empresas em os manterem, potencializado pela preocupação da sociedade em se proteger do COVID-19, usando a “blindagem” do veículo particular”. 

Fonte: portal.fgv.br

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